Certo dia, uma colega de nutrição preocupada com a avalanche de informações sobre esta ciência divulgadas na mídia e pelo aumento considerável de faculdades particulares oferecendo o curso me pergunta se haverá ainda pacientes para nós, ela pergunta: "se com tantas informações as pessoas não 'precisarem' nos procurar? Se pela internet pode-se tirar todas as 'informações' e 'dietas' que quiserem?"
Passei algum tempo refletindo sobre as preocupações da minha colega, e após uns dias cheguei há algumas conclusões...
Milhares de pessoas por ano morrerem por doenças crônicas ocasionadas por uma má alimentação e sedentarismo. Muitas vezes influenciadas pela mídia ingerem tudo o que nos 'mata aos poucos' porque 'está na moda', porque tal artista da novela, tão bonzinho, disse em entrevista que cerveja faz bem ao coração, excedem nas gorduras, refrigerantes, preferem a coca cola ao maravilhoso suco de acerola, pois coca é o que nos dá energia, é o que nos move...E assim, dia a após dia, nos matamos aqui e ali com um biscoitinho recheado hoje, um "miojinho" amanhã! Associado (não podemos esquecer) aos cansativos exercícios de levantamento de controle remoto, declaramos sem palavras: "sedentarismo, te amamos!!". E quando percebemos, nossas 'taxas' de colesterol estão altas, o diabetes tipo II dá sinal de vida, digo, de morte e aí nos perguntamos: Como cheguei neste estágio? como se sou tão justo?
Não podemos nos esquecer daqueles que já entendem a importância da alimentação saudável como o primeiro passo para uma vida de qualidade, mas mesmo estes, ás vezes, desconhecem o exagerado uso de agrotóxicos na produção de verduras e frutas tão ricas em nutrientes essenciais como, agora, em agrotóxicos. E estas pessoas tão cuidadosas consigo mesmas acabam adoecendo das piores doenças (na minha opinião): câncer. Temos, então, anos de deterioração do ser humano, seu corpo, sua personalidade, sua postura diante da sociedade, o câncer não mata só células. E tudo isso por uns centavos a mais no bolso do produtor e beleza no supermercado.
Também há o grande problema com os alimentos geneticamente modificados, chamados carinhosamente de transgênicos, eles chegaram ao Brasil há pouco tempo, mas milhares de brasileiros já o ingerem sem se quer saber. Eles estão lá, soja, milho, tomate, e sãos refinados e adicionados em biscoitos, óleos, molhos, papas infantis, dentre outros milhares de produtos. No projeto genoma tentamos entender como os genes "conversam entre si", mas nossa pressa por "alimentos mais bonitos e resistentes" nos leva a inserir genes de espécies diferentes numa mesma planta para uma "conversação nova", em que isso pode resultar? É o que me pergunto, pois na genética precisamos de TEMPO!! Se observarmos as latas de óleo de soja utilizadas em nossas casas devemos encontrar um triângulo com um belo T no centro, este T infelizmente não é de tinindo, mas de transgênico. Disse anteriormente 'devemos' porque neste assunto ainda temos dois agravantes, o primeiro é que não lemos o rótulo e o segundo é que muitas empresas omitem está informação nos seus produtos.
Mas se a pessoas compreenderem isto, descobrirem estes e muitos outros riscos que correm e prevenirem-se, atuarem nas escolhas políticas, criticando o que lhes é imposto pela mídia, pelos poderes públicos, EXIGINDO seus direitos. Se os profissionais nutricionistas e estudantes não se omitirem da luta, assumindo seu belo e transformador papel na sociedade, pesquisando o povo e para o povo, então talvez neste momento realmente não terei "vagas" em consultórios. E aí poderei realizar meu outro grande sonho: formar-me em música, serei, então, bacharel em viola pela mesma universidade que hoje curso nutrição, pois neste momento as pessoas pararão para me ouvir, terão tempo para ir ao teatro e não ao hospital interna-se, terão recursos para investir em cultura, pois já não gastarão grande parte dos seus salários com remédios, consultas e exames. Serei professora de música para jovens que não veem suas mães jantarem compridos e economizarem os tostões para a insulina do mês. Esses já não serão enrolados, pois eles estarão exercendo o poder, o seu poder de cidadão e eu finalmente tocarei a música, aquela que acho a mais sublime, em homenagem ao criador, tocarei a nona sinfonia (Beethoven).
E neste momento a humanidade dará apenas um pequeno passo, mas se moverá no caminho do verdadeiro desenvolvimento.
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